terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O frete

 O dia havia sido longo e corrido.
 Bateu uma vontade súbita de parar na praça do Stella Maris. Não havia motivo, pelo menos não sabia que havia.
 Ao parar, logo ao descer da Strada, fui abordado por uma senhora que pergunto se conhecia alguém que fizesse frete. Respondi que não, que o carro que eu estava utilizando nem meu era, e sim da empresa. Ela explicou que havia ganhado três grades e que precisava retirar e levar para o bairro da paz (uma comunidade carente e violento de Salvador).
 Naquele momento entendi por que havia parado ali... Percebendo a mão de Deus, sorri e disse a senhora:
 - Por sorte, hoje vou com esse carro para casa e o bairro da paz fica no meu caminho. Se a senhora quiser esperar 10 minutos, vou ao escritório e volto em seguida para pegar suas grades.
 Ela perguntou quanto custaria e eu disse: um sorriso e um obrigado ;)
 Fui rapidamente a empresa deixar um documento e ao voltar, ela me esperava na praça.
 Fomos ao condomínio onde ela trabalha como doméstica, peguei as grades, arrumei no carro e fomos embora.
 Ao chegar na casa dela, fiz questão de descarregar, pois eram um pouco pesadas.
 Ela visivelmente feliz, agradeceu e tentou me dar uma nota que estava dobrada em suas mãos.
 Recusei sorrindo, agradeci e expliquei, que se Deus havia me colocado ali para ajuda-la, jamais poderia aceitar qualquer pagamento.
 Subi no carro e fui embora com o melhor e maior pagamento do mundo; A felicidade pela oportunidade de ajudar ao próximo.
 A todos, um feliz natal!

domingo, 14 de dezembro de 2014

O copo quente

Finalmente  de volta ao blog. Esse é o pensamento que me vem a cabeça nesse momento.
 Após várias promessas e uma noite de insônia, tomei várias decisões. Entre elas, a de voltar a escrever.
 Estava com o texto pronto e meu filho acordou às 4:57h. Ai aconteceu uma situação que me fez apagar tudo que estava escrito e começar do zero de novo.

 Levei meu pequeno touro de apenas três anos para fazer xixi e depois esquentei o leite para o mucillon dele (na realidade sempre tem que ter Nescau e ser identificado como tal... Rs).

 Como esquentei no micro-ondas, o copo ficou quente, mas provei e vi que o leite estava em ótima temperatura.
 Ao pegar o copo, fez pirraça e disse que estava muito quente. Expliquei que era só o copo, mas que o Nescau estava morninho do jeito que gostava.
 Ele em mais uma pirraça matinal, disse que estava muito quente.
 Peguei o copo, passei agua por fora e entreguei a ele novamente, que ao ver que o copo não estava mais aquecido, bebeu tranquilamente.

 Essa situação fez-me ver que assim, também somos nós, os adultos: nos apressamos em julgar o conteúdo de cada copo que pegamos.
 Nos apressamos em achar que o liquido está quente, mesmo não o tendo levado a boca ainda.
 Julgamos as pessoas e situação com muita facilidade e de forma errada, pois as mesmas não se enquadram a primeira vista nos conceitos que temos de certo ou belo.

 Por dois finais de semana, encontrei um casal simpático na piscina do condomínio. Apesar de achar o cabelão do sujeito meio estranho, assim como o excesso de tatuagens, tentei não julgar pela a aparência.
 Ontem estava no parquinho do prédio com meus filhos e esse bom sujeito estava cercado de um monte de gente estranha na churrasqueira, ouvindo um som alto e pesado. Estavam curtindo sepultura e metallica.
 Olhei de rabo de olho e depois ele acabou vindo me cumprimentar. Então me dei conta que estava julgando ele e todos os amigos que o rodeavam.  Assim como meu filho, estava pegando um copo quente em minhas mãos e julgando o conteúdo. Naquele momento me senti envergonhado.
 Hoje já com o texto pronto, Deus aparentemente quis me mostrar que era importante escrever sobre isso, e aconteceu essa situação com meu filho.

 Precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo!
 Precisamos ser melhores do que pensamos ser.
 Precisamos parar de julgar e a aceitar mais o próximo.
 Precisamos de mais amor, pois ele é a base de tudo.
 Que em 2015 eu consiga ser um ser humano melhor, que não pegue um copo e julgue mais o conteúdo pela temperatura externa.
 Esse é meu desejo para mim e para vocês, amados amigos que perdem alguns tempo lendo minhas bobagens e devaneios.

 Bom domingo!  

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Que essa seja minha parte II

No Sarah o meu caso foi analisado e o corpo médico chegou a conclusão que jamais devia ter feito a artroscopia e que a única solução para o meu caso seria a prótese ou suportar as dores dos ossos se encontrando.
Muitos  não devem imaginar a dor que sinto somente para movimentar um braço… os ossos se encontram em um local onde o úmero jamais devia atingir e as dores são viscerais…
Justamente por isso, fiquei parado até 22 de dezembro, quando tomei vergonha na cara e resolvi encarar meus demônios e voltar a treinar.
Cada vez que levanto um peso é como se estivessem arrancando meu braço, cada série, cada movimento… Tudo causa dores terríveis…
Então porque continuo? Porque ceder as minhas fraquezas, as dores e aos meus medos, seria mostrar que tudo que relato nesse blog não passa de uma grande mentira.
 Queridos… O corpo é fraco, mas o espírito é forte…
Quando achar que não consegue fazer algo, quando temer as dores, quando pensar em tomar remédio sem necessidade ou quando estiver triste por causa de alguma deficiência, cicatriz ou fraqueza. Não esqueça que você é muito mais que um corpo. Você é feito de um espírito forte, de vontade… Você pode e deve superar os limites!
O impossível só existe até que alguém prove o contrário!
Devia ser impossível a esse que vos escreve, levantar até mesmo um pesinho de cinco quilos; mas contrariando tudo, levanto setenta quilos no supino. Sinto dores? Sim! chego a ficar tonto! Porque continuo? Porque nenhuma dor, nenhuma fraqueza irá ditar como viverei…
A todos uma ótima noite.
Deixo uma montagem com o raio-x de como meu osso fica quando movimento o braço esquerdo e duas fotos dos resultados dos primeiros 55 dias de volta aos treinos :)

terça-feira, 17 de junho de 2014

Que essa seja minha parte I

Lembro de meus 18 anos, de servir como paraquedista e da bela e sofrida oração do paraquedista, encontrada no bolso de um francês morto em combate.
Entre outras coisas, dizia:
…Dai-me, Senhor, o que Vos resta,
Dai-me aquilo que todos recusam.
Quero a insegurança e a inquietação,
Quero a luta e a tormenta…
Dai-me aquilo que os outros não querem;
Mas dai-me, também, a coragem
E a força e a fé.
Não sabia como essa oração teria peso em minha vida e serviria de pilar de sustentação.
Em fevereiro do 2013 operei uma hidrocele testicular. Por conta disso, fiquei 30 dias sem treinar e as dores que sentia em meu ombro esquerdo, desde o acidente de 2004, se tornaram incapacitantes.
Procurei um especialista em ombros e após vários exames, foi constatado que devido um erro médico em 2004, desenvolvi uma artrose seria. A única solução seria trocar minha articulação do ombro esquerdo por uma prótese, mas nem o médico indicava isso, devido a minha idade, pois certamente teria que substituir com o passar de 10, 15 anos…
Como solução paliativa, me foi proposto uma artroscopia, que logicamente aceitei.
Exames feitos, eternidade para o plano de saúde liberar, enfim… Em agosto finalmente consegui operar.
Infelizmente as coisas não deram como esperado e em outubro voltei so bloco cirúrgico, pois sofri uma luxação e meu úmero não parava mais dentro da articulação.
Mais uma vez as coisas não deram como esperado e decidi procurar o Sarah, hospital especializado em reabilitação motora…
Continua…