quinta-feira, 28 de outubro de 2010

o vampiro, a delegacia e o outro acidentado

Passado algumas horas na delegacia, chegaram os PMs com o rapaz que estava na garupa da moto.
Fiquei preocupado com a mulher, pois não estava junto e perguntei por ela. Falaram rindo que estava tudo bem, e contaram uma história que conto após esclarecer alguns detalhes que deixei propositalmente para o final:

A moto era do rapaz que estava na garupa e quem estava dirigindo era à supervisora dele.

Eram amantes e haviam dito a seus respectivos companheiros que iam trabalhar até mais tarde.
Os dois estavam bêbados e nenhum dos dois era habilitado para moto. Na realidade, o rapaz nem tinha carteira.
A moto não tinha IPVA atualizado há três anos.
Avançaram o sinal vermelho.
Estavam visivelmente bêbados.

Então o quadro ficou assim:

O casal bêbado avançou o sinal e bateu numa Strada onde um vampiro estava dirigindo.
Voaram por cima do carro e se estabacaram no asfalto.
Foram levados para o hospital e ele foi liberado, ela foi medicada para dor e tb liberada, mas enquanto ainda estavam no hospital, chegou o marido dela.
O que vem a seguir é o relato dos policiais quando perguntei por ela:

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O policial pilantra e o vampiro

Ao chegar na 76 DP no centro de Niterói, primeiramente o policial que estava de plantão perguntou o que eu fazia. Respondi que trabalhava com lombadas eletrônicas. Após mais algumas sondagens o cara de pau soltou a pérola:

- Doutor. Sei que o senhor está coberto de razão e que visivelmente é uma pessoa muito correta, tenha certeza que estamos do seu lado.

Continuou...

- Mas para a gente poder fazer o que é o correto e pressionar o cidadão que está todo errado, será que o senhor não poderia deixar algo para esse servidor que o serve? Faz anos que não temos aumento!

Olhei para aquele pilantra disfarçado de policial sem acreditar no que estava ouvindo e falei:

- Estou sem um centavo aqui, pois estava indo para uma festa, mas posso te dar um cheque para “ajudar o amigo" que está tão apertado.

Ele virou e ainda soltou mais uma pérola:

- Tenho certeza que uma pessoa ilustre como o senhor, não daria um cheque sem fundos.

Olhei para ele sério e falei:

- Por que faria isso?

Preenchi um cheque de 100,00. Isso mesmo, apenas 100,00 e dei ao meu “amigo” que diferente dos policiais militares que tiveram uma postura impecável, apurando os fatos no local do acidente, estava jurando me defender do outro motorista e torná-lo culpado, ainda que isso não fosse verdade.
Eu estava todo correto na situação, mas mesmo se não estivesse, havia acabado de comprar o apoio policial por uma mixaria.

Certas coisas são revoltantes e hoje realmente lamento ter dado essa “caixinha" para aquele bandido disfarçado de policial, mas em 2002 só queria acelerar tudo e ir para casa, além do medo de não dar o dinheiro para aquele pilantra e mesmo estando todo certo, ainda ver algo “errado” pintar do nada, somente por que não quis ajudar aquele "bom funcionário público" que não tinha aumento há anos.

Continua...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um corpo estendido no chão...

Fui andando em direção ao sujeito que já se levantava apesar de um pouco arranhado. Bravo, quase bati no cidadão por ter avançado o sinal vermelho.
Com um cheiro horrível de bebida e voz de quem estava muito grogue, ele teve a cara de pau de falar que o sinal estava verde para ele.
Perguntei:

- Você está bêbado?

Ele tentou negar, mas era impossível.

A companheira dele estava esparramada no chão. Como era um pouquinho obesa, deve ter sentido bem a queda e estava imóvel, tão bêbada quanto ele.

Passou algum tempo e chegou o carro da policia.
Expliquei o que havia acontecido e eles constataram que o sujeito estava muito bêbado mesmo.
Passado alguns minutos, um caminhoneiro que vinha pela mesma via por onde o casal avançou o sinal, parou e falou que eles estavam fazendo besteira há muito tempo e que já havia quase batido um pouco antes.

Os policiais fizeram o B.O no local, perguntaram se estava tudo bem comigo e a Lu e mandaram o sujeito ficar sentado sem perturbar até a chegada dos bombeiros.

Os bombeiros chegaram pouco depois. Um deles me chamou para ser atendido, pois estava sangrando no rosto. Respondi que era apenas sangue cenográfico, pois estava indo para uma festa a fantasia. Ele riu e falou que parecia real.

Removeram a mulher e o cidadão para o hospital.
Os policiais que nessa altura já haviam feito amizade comigo e com a Lu, nos deixaram na delegacia para registrar a ocorrência, falaram que teriam que ir ao hospital, mas que depois voltariam à delegacia com o casal.

Lu estava com dor no peito e o horário já avançava. Falei para ela ir embora de taxi e descansar enquanto eu resolvia tudo.

Continua...

domingo, 24 de outubro de 2010

A aparição...


Já repararam como é incrível a quantidade de pessoas que aparece logo após um acidente?
Mal batemos e antes mesmo de eu sair do carro, já havia uma bela platéia em volta.

Verifiquei se a Lu estava bem. Apesar da dor que estava sentindo no peito devido ao cinto, estava tudo bem com ela.
Tentei abrir a porta do carro, mas estava emperrada. Abri com um chute e desci do carro para o susto de todos.

Imaginem a cena; caso vcs estivessem acabado de presenciar um acidente ou fossem as pessoas que estavam na moto:

Está saindo fumaça pelo caput do carro que acabou de se espatifar em um poste, de repente a porta do carro abre com toda força após a pessoa dar um forte chute por dentro e eis que desce um vampiro de 185 cm, 92 kg (na época era muito forte – foto do período no post. Infelizmente não tenho nenhuma caracterizado de vampiro), com apenas uma presa (uma delas se soltou após a batida), cheio de sangue cenográfico no rosto, com cara de ódio mortal pelos idiotas da moto e com minha bela capa esvoaçante...

Um segundo de silencio... Todos que estavam parados na esquina arregalam os olhos sem saber direito que cena ara aquela. Olhares aterrorizados dos passageiros da moto. Imagino que os dois pensaram que haviam morrido e tinham ido direto para o inferno.

Continua...

Obs: Apesar de aparentar ser um conto, essa história é real e se passou comigo e minha ex esposa.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O voo do vampiro

O ano era 2002. Eu e Lu haviamos acabado de voltar ao Rio, após uma passagem por Manaus e Embu.

Alexandre, primo dela ia fazer aniversário e decidiu fazer uma festa a fantasia.

A Lu havia decidido ir de vampira e no dia da festa optei por uma fantasia igual a dela, com direito a capa, dentes postiços e maquiagem com sangue artificial espalhado em volta da boca.

Nos arrumamos e quando era em torno de 22h estavamos saindo de Niterói para ir ao Rio, na festa. Estavamos animados e ficou ótima a caracterização. Ambos eramos vampiros perfeitos.

Pegamos o carro na garagem e saimos de casa. Assim que entramos na pista que dava na ponte, uma via com limite de 60 km/h, passamos pelo primeiro sinal que estava aberto, ao passar pelo segundo sinal que tb estava verde, sentimos uma pancada na lateral traseira esquerda da strada. Perdi o controle e só parei no poste alguns metros a frente do lado esquerdo da pista.

Lu chorava assustada. Uma motociclista havia avançado o sinal e batido na lateral do carro, voando por cima dele e caindo no asfalto junto com seu companheiro.

Continua...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Totalmente recuperado.

Ao voltar para a academia com a informação que estava livre das muletas (pelo menos foi o que falei a todos), montei um programa de recuperação muscular, pois minha perna esquerda estava quase 5cm mais fina que a direita. Comecei um trabalho sério naquele mesmo dia, ainda que inicialmente com tornozeleiras de 1kg.
Lembro como a Luciana Telles ficava brava com minha imprudencia e eu achava aquilo divertido na época.
Contrariando todos os prognósticos médicos, um mês após sair do hospital, com muita imprudência (hoje vejo isso) e dedicação, já estava andando 100%. Com dois meses, já não havia diferença entre a musculatura de ambas as pernas.

Nunca tive nenhuma sequela daquele acidente  e creio que ele colaborou em muito para o animo que tive quando sofri o acidente mais grave em 2004.

Assim encerro o relato desse acidente.

Fica aqui o agradecimento eterno a minha amada amiga Luciana Telles e sua família que sempre foram muito importantes em minha vida.

Hoje não convivemos muito pela distancia, mas a Lu sempre será uma das principais pessoas de minha vida.

Amo-te, minha amiga e sou muito grato por tudo que fez.

Amanhã começo o relato do acidente do vampiro...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A recuperação

Fiquei dois dias totalmente parado e depois comecei a arriscar alguns passos de muleta por dentro da casa da Beti.
No terceiro dia subi as escadarias da academia e quase fiz o pessoal enfartar.

O fato é que fui criando confiança e para desespero de todos, no quarto dia já estava andando para todos os lados com apenas uma muleta.

Secretamente comecei a tentar andar sem muletas. Apesar da dor que ocasionava, devido a lesão recente e a musculatura da perna esquerda ter ficado bem atrofiada, conseguia dar alguns passos puxando a perna.

Uma semana depois de sair do hospital, tinha uma consulta para ver como estava a cicatrização do acesso. Como já era previsto, estava infeccionado e o médico passou antibióticos.
Aproveitei essa consulta e perguntei ao médico quando poderia largar as muletas. Ele riu meio incrédulo e falou:

- Calma! Daqui a um mês a gente faz uma reavaliação e conforme for, eu libero para andar com uma muleta.

Respondi:

- Mas eu já consigo andar sem elas.
Ele não acreditou e falou:

- Então de alguns passos aqui na sala que quero ver.

Expliquei que realmente ainda sentia dor devido a musculatura estar atrofiada e que os passos ainda eram meio "tortos". Em seguida larguei minhas muletas e dei uma volta por dentro da sala para espanto do médico.
Ele achou incrível minha recuperação e naquele dia, liberou para andar com apenas uma muleta.
Sai da sala dele com uma das muletas e em seguida coloquei as duas embaixo do braço.
Letícia, filha da dona da academia, havia me levado e estava esperando do lado de fora. Perguntou como foi.
Falei do antibiótico e com ambas as muletas embaixo do braço, que o médico havia me liberado para andar sem elas... Ops!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ultimos dias no Salgado Filho

Mais um dia se passou e logo de manhã acordei com uma enfermeira que queria raspar minha virilha para eu seguir para o bloco cirúrgico para poder operar. O problema é que eu não tinha que operar nada!
Falei com ela que estava no leito errado e que minha perna não estava quebrada. A pessoa correta ainda se manifestou, mas mesmo assim ela foi confirmar primeiro. Passado um tempinho ela voltou e foi ao leito correto.
Nada como hospital público... Sempre me perguntei o que teria acontecido se estivesse sedado na hora que ela foi me raspar.

De tanto perturbar ao médico com meu discurso para ir embora e provavelmente por estarem precisando do leito para algum paciente em estado mais grave, o médico falou que ia me liberar no dia seguinte, mas que eu ia ter que ficar imovel em casa praticamente o tempo todo e que só poderia me mover de muletas o mínimo possivel naquele primeiro mês, pois o risco do femur sair do encaixe era enorme. Depois de um mês seria reavaliado e talvez pudesse passar a andar com as muletas, para posteriormente passar a usar apenas uma e por fim fazer fisioterapia e voltar a vida normal. Um processo que duraria em torno de quatro meses. Concordei, mas...

No dia seguinte recebi alta e Beth a dona da academia onde dava aula, já estava me esperando na saída com minhas muletas.
Fiquei na casa dela que era embaixo da academia  e os alunos iam tirar as dúvidas comigo la embaixo.
Ah! A primeira coisa que fiz ao chegar na casa dela, foi tomar um banho sentado em uma cadeira. Foram oito dias internado tomando somente banho de toalha em cima do leito.
Não podia me queixar pois a previsão era de de pelo menos um mês internado, mas enfim... alguém sabe o que é ficar oito dia na mesma posição e sem poder tomar banho?

Continua...

domingo, 3 de outubro de 2010

Os dias de internação

Os dias foram passando. Confesso que naquela época não tinha muita paciência.
Ficar o dia inteiro em uma única posição devido a tração, além de começar a ter dificuldades para urinar e defecar não ajudavam muito.

O problema da Urina foi resolvido com uma sonda que colocaram  pela minha uretra e no final acabaram deixando direto. Afinal, fazer xixi deitado em algo chamado "patinho", não era algo natural.

Os dias foram passando e eu fui trabalhando em cima dos médicos, pedindo para me liberar logo, que eu jamais seria imprudente e que tomaria todos os cuidados devido a luxação.

Após seis dias internado e sete sem defecar, já com bastante amizade com os demais "quebrados"da enfermaria, finalmente achei que ia conseguir. O único de nós que conseguia andar pegou a comadre para mim.  Me posicionei... Com a torcida de meus novos amigo no estilo:

- Vai que vc consegue!

- Força!

Estava quase conseguindo quando de repente entra um grupo de evangélicos e vão direto para um leito e começam a orar pela melhora de um de nossos colegas.
Estava todo suado de tanto fazer força, com uma comadre embaixo de mim, sem acreditar na situação.
Após quatro leitos, chamei o único homem do grupo e pedi para falar em particular com ele:

- Estou a sete dias sem ir ao banheiro e agora estava quase conseguindo, será que vcs não podem ir a outro quarto e voltar aqui depois?

Ele conversou com as mulheres que saíram, mas não é que o sujeito ainda veio orar comigo e com o outro que ainda faltava, para somente depois ir embora!

Bom... assim que ele saiu voltei ao meu esforço, pois estava morrendo de medo de empedrar e ter que fazer lavagem.
Esforço, concentração, nova suadeira e... "ploc, ploc", nosso amigo que era o único que podia andar retirou a tal da comadre e disse:

- Vixi... parece um cabrito, tanto esforço (e torcida) e só saiu duas bolinhas...

É... Foram dias de glórias...

Continua...