quinta-feira, 28 de outubro de 2010

o vampiro, a delegacia e o outro acidentado

Passado algumas horas na delegacia, chegaram os PMs com o rapaz que estava na garupa da moto.
Fiquei preocupado com a mulher, pois não estava junto e perguntei por ela. Falaram rindo que estava tudo bem, e contaram uma história que conto após esclarecer alguns detalhes que deixei propositalmente para o final:

A moto era do rapaz que estava na garupa e quem estava dirigindo era à supervisora dele.

Eram amantes e haviam dito a seus respectivos companheiros que iam trabalhar até mais tarde.
Os dois estavam bêbados e nenhum dos dois era habilitado para moto. Na realidade, o rapaz nem tinha carteira.
A moto não tinha IPVA atualizado há três anos.
Avançaram o sinal vermelho.
Estavam visivelmente bêbados.

Então o quadro ficou assim:

O casal bêbado avançou o sinal e bateu numa Strada onde um vampiro estava dirigindo.
Voaram por cima do carro e se estabacaram no asfalto.
Foram levados para o hospital e ele foi liberado, ela foi medicada para dor e tb liberada, mas enquanto ainda estavam no hospital, chegou o marido dela.
O que vem a seguir é o relato dos policiais quando perguntei por ela:

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O policial pilantra e o vampiro

Ao chegar na 76 DP no centro de Niterói, primeiramente o policial que estava de plantão perguntou o que eu fazia. Respondi que trabalhava com lombadas eletrônicas. Após mais algumas sondagens o cara de pau soltou a pérola:

- Doutor. Sei que o senhor está coberto de razão e que visivelmente é uma pessoa muito correta, tenha certeza que estamos do seu lado.

Continuou...

- Mas para a gente poder fazer o que é o correto e pressionar o cidadão que está todo errado, será que o senhor não poderia deixar algo para esse servidor que o serve? Faz anos que não temos aumento!

Olhei para aquele pilantra disfarçado de policial sem acreditar no que estava ouvindo e falei:

- Estou sem um centavo aqui, pois estava indo para uma festa, mas posso te dar um cheque para “ajudar o amigo" que está tão apertado.

Ele virou e ainda soltou mais uma pérola:

- Tenho certeza que uma pessoa ilustre como o senhor, não daria um cheque sem fundos.

Olhei para ele sério e falei:

- Por que faria isso?

Preenchi um cheque de 100,00. Isso mesmo, apenas 100,00 e dei ao meu “amigo” que diferente dos policiais militares que tiveram uma postura impecável, apurando os fatos no local do acidente, estava jurando me defender do outro motorista e torná-lo culpado, ainda que isso não fosse verdade.
Eu estava todo correto na situação, mas mesmo se não estivesse, havia acabado de comprar o apoio policial por uma mixaria.

Certas coisas são revoltantes e hoje realmente lamento ter dado essa “caixinha" para aquele bandido disfarçado de policial, mas em 2002 só queria acelerar tudo e ir para casa, além do medo de não dar o dinheiro para aquele pilantra e mesmo estando todo certo, ainda ver algo “errado” pintar do nada, somente por que não quis ajudar aquele "bom funcionário público" que não tinha aumento há anos.

Continua...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um corpo estendido no chão...

Fui andando em direção ao sujeito que já se levantava apesar de um pouco arranhado. Bravo, quase bati no cidadão por ter avançado o sinal vermelho.
Com um cheiro horrível de bebida e voz de quem estava muito grogue, ele teve a cara de pau de falar que o sinal estava verde para ele.
Perguntei:

- Você está bêbado?

Ele tentou negar, mas era impossível.

A companheira dele estava esparramada no chão. Como era um pouquinho obesa, deve ter sentido bem a queda e estava imóvel, tão bêbada quanto ele.

Passou algum tempo e chegou o carro da policia.
Expliquei o que havia acontecido e eles constataram que o sujeito estava muito bêbado mesmo.
Passado alguns minutos, um caminhoneiro que vinha pela mesma via por onde o casal avançou o sinal, parou e falou que eles estavam fazendo besteira há muito tempo e que já havia quase batido um pouco antes.

Os policiais fizeram o B.O no local, perguntaram se estava tudo bem comigo e a Lu e mandaram o sujeito ficar sentado sem perturbar até a chegada dos bombeiros.

Os bombeiros chegaram pouco depois. Um deles me chamou para ser atendido, pois estava sangrando no rosto. Respondi que era apenas sangue cenográfico, pois estava indo para uma festa a fantasia. Ele riu e falou que parecia real.

Removeram a mulher e o cidadão para o hospital.
Os policiais que nessa altura já haviam feito amizade comigo e com a Lu, nos deixaram na delegacia para registrar a ocorrência, falaram que teriam que ir ao hospital, mas que depois voltariam à delegacia com o casal.

Lu estava com dor no peito e o horário já avançava. Falei para ela ir embora de taxi e descansar enquanto eu resolvia tudo.

Continua...

domingo, 24 de outubro de 2010

A aparição...


Já repararam como é incrível a quantidade de pessoas que aparece logo após um acidente?
Mal batemos e antes mesmo de eu sair do carro, já havia uma bela platéia em volta.

Verifiquei se a Lu estava bem. Apesar da dor que estava sentindo no peito devido ao cinto, estava tudo bem com ela.
Tentei abrir a porta do carro, mas estava emperrada. Abri com um chute e desci do carro para o susto de todos.

Imaginem a cena; caso vcs estivessem acabado de presenciar um acidente ou fossem as pessoas que estavam na moto:

Está saindo fumaça pelo caput do carro que acabou de se espatifar em um poste, de repente a porta do carro abre com toda força após a pessoa dar um forte chute por dentro e eis que desce um vampiro de 185 cm, 92 kg (na época era muito forte – foto do período no post. Infelizmente não tenho nenhuma caracterizado de vampiro), com apenas uma presa (uma delas se soltou após a batida), cheio de sangue cenográfico no rosto, com cara de ódio mortal pelos idiotas da moto e com minha bela capa esvoaçante...

Um segundo de silencio... Todos que estavam parados na esquina arregalam os olhos sem saber direito que cena ara aquela. Olhares aterrorizados dos passageiros da moto. Imagino que os dois pensaram que haviam morrido e tinham ido direto para o inferno.

Continua...

Obs: Apesar de aparentar ser um conto, essa história é real e se passou comigo e minha ex esposa.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O voo do vampiro

O ano era 2002. Eu e Lu haviamos acabado de voltar ao Rio, após uma passagem por Manaus e Embu.

Alexandre, primo dela ia fazer aniversário e decidiu fazer uma festa a fantasia.

A Lu havia decidido ir de vampira e no dia da festa optei por uma fantasia igual a dela, com direito a capa, dentes postiços e maquiagem com sangue artificial espalhado em volta da boca.

Nos arrumamos e quando era em torno de 22h estavamos saindo de Niterói para ir ao Rio, na festa. Estavamos animados e ficou ótima a caracterização. Ambos eramos vampiros perfeitos.

Pegamos o carro na garagem e saimos de casa. Assim que entramos na pista que dava na ponte, uma via com limite de 60 km/h, passamos pelo primeiro sinal que estava aberto, ao passar pelo segundo sinal que tb estava verde, sentimos uma pancada na lateral traseira esquerda da strada. Perdi o controle e só parei no poste alguns metros a frente do lado esquerdo da pista.

Lu chorava assustada. Uma motociclista havia avançado o sinal e batido na lateral do carro, voando por cima dele e caindo no asfalto junto com seu companheiro.

Continua...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Totalmente recuperado.

Ao voltar para a academia com a informação que estava livre das muletas (pelo menos foi o que falei a todos), montei um programa de recuperação muscular, pois minha perna esquerda estava quase 5cm mais fina que a direita. Comecei um trabalho sério naquele mesmo dia, ainda que inicialmente com tornozeleiras de 1kg.
Lembro como a Luciana Telles ficava brava com minha imprudencia e eu achava aquilo divertido na época.
Contrariando todos os prognósticos médicos, um mês após sair do hospital, com muita imprudência (hoje vejo isso) e dedicação, já estava andando 100%. Com dois meses, já não havia diferença entre a musculatura de ambas as pernas.

Nunca tive nenhuma sequela daquele acidente  e creio que ele colaborou em muito para o animo que tive quando sofri o acidente mais grave em 2004.

Assim encerro o relato desse acidente.

Fica aqui o agradecimento eterno a minha amada amiga Luciana Telles e sua família que sempre foram muito importantes em minha vida.

Hoje não convivemos muito pela distancia, mas a Lu sempre será uma das principais pessoas de minha vida.

Amo-te, minha amiga e sou muito grato por tudo que fez.

Amanhã começo o relato do acidente do vampiro...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A recuperação

Fiquei dois dias totalmente parado e depois comecei a arriscar alguns passos de muleta por dentro da casa da Beti.
No terceiro dia subi as escadarias da academia e quase fiz o pessoal enfartar.

O fato é que fui criando confiança e para desespero de todos, no quarto dia já estava andando para todos os lados com apenas uma muleta.

Secretamente comecei a tentar andar sem muletas. Apesar da dor que ocasionava, devido a lesão recente e a musculatura da perna esquerda ter ficado bem atrofiada, conseguia dar alguns passos puxando a perna.

Uma semana depois de sair do hospital, tinha uma consulta para ver como estava a cicatrização do acesso. Como já era previsto, estava infeccionado e o médico passou antibióticos.
Aproveitei essa consulta e perguntei ao médico quando poderia largar as muletas. Ele riu meio incrédulo e falou:

- Calma! Daqui a um mês a gente faz uma reavaliação e conforme for, eu libero para andar com uma muleta.

Respondi:

- Mas eu já consigo andar sem elas.
Ele não acreditou e falou:

- Então de alguns passos aqui na sala que quero ver.

Expliquei que realmente ainda sentia dor devido a musculatura estar atrofiada e que os passos ainda eram meio "tortos". Em seguida larguei minhas muletas e dei uma volta por dentro da sala para espanto do médico.
Ele achou incrível minha recuperação e naquele dia, liberou para andar com apenas uma muleta.
Sai da sala dele com uma das muletas e em seguida coloquei as duas embaixo do braço.
Letícia, filha da dona da academia, havia me levado e estava esperando do lado de fora. Perguntou como foi.
Falei do antibiótico e com ambas as muletas embaixo do braço, que o médico havia me liberado para andar sem elas... Ops!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ultimos dias no Salgado Filho

Mais um dia se passou e logo de manhã acordei com uma enfermeira que queria raspar minha virilha para eu seguir para o bloco cirúrgico para poder operar. O problema é que eu não tinha que operar nada!
Falei com ela que estava no leito errado e que minha perna não estava quebrada. A pessoa correta ainda se manifestou, mas mesmo assim ela foi confirmar primeiro. Passado um tempinho ela voltou e foi ao leito correto.
Nada como hospital público... Sempre me perguntei o que teria acontecido se estivesse sedado na hora que ela foi me raspar.

De tanto perturbar ao médico com meu discurso para ir embora e provavelmente por estarem precisando do leito para algum paciente em estado mais grave, o médico falou que ia me liberar no dia seguinte, mas que eu ia ter que ficar imovel em casa praticamente o tempo todo e que só poderia me mover de muletas o mínimo possivel naquele primeiro mês, pois o risco do femur sair do encaixe era enorme. Depois de um mês seria reavaliado e talvez pudesse passar a andar com as muletas, para posteriormente passar a usar apenas uma e por fim fazer fisioterapia e voltar a vida normal. Um processo que duraria em torno de quatro meses. Concordei, mas...

No dia seguinte recebi alta e Beth a dona da academia onde dava aula, já estava me esperando na saída com minhas muletas.
Fiquei na casa dela que era embaixo da academia  e os alunos iam tirar as dúvidas comigo la embaixo.
Ah! A primeira coisa que fiz ao chegar na casa dela, foi tomar um banho sentado em uma cadeira. Foram oito dias internado tomando somente banho de toalha em cima do leito.
Não podia me queixar pois a previsão era de de pelo menos um mês internado, mas enfim... alguém sabe o que é ficar oito dia na mesma posição e sem poder tomar banho?

Continua...

domingo, 3 de outubro de 2010

Os dias de internação

Os dias foram passando. Confesso que naquela época não tinha muita paciência.
Ficar o dia inteiro em uma única posição devido a tração, além de começar a ter dificuldades para urinar e defecar não ajudavam muito.

O problema da Urina foi resolvido com uma sonda que colocaram  pela minha uretra e no final acabaram deixando direto. Afinal, fazer xixi deitado em algo chamado "patinho", não era algo natural.

Os dias foram passando e eu fui trabalhando em cima dos médicos, pedindo para me liberar logo, que eu jamais seria imprudente e que tomaria todos os cuidados devido a luxação.

Após seis dias internado e sete sem defecar, já com bastante amizade com os demais "quebrados"da enfermaria, finalmente achei que ia conseguir. O único de nós que conseguia andar pegou a comadre para mim.  Me posicionei... Com a torcida de meus novos amigo no estilo:

- Vai que vc consegue!

- Força!

Estava quase conseguindo quando de repente entra um grupo de evangélicos e vão direto para um leito e começam a orar pela melhora de um de nossos colegas.
Estava todo suado de tanto fazer força, com uma comadre embaixo de mim, sem acreditar na situação.
Após quatro leitos, chamei o único homem do grupo e pedi para falar em particular com ele:

- Estou a sete dias sem ir ao banheiro e agora estava quase conseguindo, será que vcs não podem ir a outro quarto e voltar aqui depois?

Ele conversou com as mulheres que saíram, mas não é que o sujeito ainda veio orar comigo e com o outro que ainda faltava, para somente depois ir embora!

Bom... assim que ele saiu voltei ao meu esforço, pois estava morrendo de medo de empedrar e ter que fazer lavagem.
Esforço, concentração, nova suadeira e... "ploc, ploc", nosso amigo que era o único que podia andar retirou a tal da comadre e disse:

- Vixi... parece um cabrito, tanto esforço (e torcida) e só saiu duas bolinhas...

É... Foram dias de glórias...

Continua...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Como foi a cirurgia...

Acordo novamente após algum tempo e vejo um negócio metálico em minha perna... Haviam colocado uma tração.
Devia ter perguntado qual era o "negocinho" que ainda precisavam fazer.
Fui transferido para enfermaria e la fiquei pelos 15 dias seguintes, numa batalha para encurtar o período de internação que deveria ser algo entre 1 a 2 meses.

Posteriormente minha amada amiga Luciana Telles contou como colocaram minha perna no lugar e que para isso, tiveram que me colocar no chão, pois era impossivel em cima da maca no bloco cirurgico.

Ah! Em relação a furadeira que vi quando comecei a sair da sedação, foi a Lu que estava furando meu osso para colocarem a tração.

Amanhã conto como foram os dias no hospital. Alias, contei que estava doido para chegar a academia para poder ir ao banheiro no dia do acidente? Pois é...

Continua...

domingo, 12 de setembro de 2010

Ainda no Salgado Filho...

Estou em dúvida entre continuar no wordpress ou passar o blog para o blogger.  Alguém tem opinião formada sobre qual é o melhor?

Acordo em seguida sem nenhuma dor e começo a falar pelos cotovelos de tão feliz:

- Ah... Agora sim! Que maravilha. Não estou sentindo mais nenhuma dor!!!

O médico explica que é porque colocara o osso de volta ao encaixe correto dele, mas que ainda teriam que fazer mais um “negocinho” e que por isso teriam que me sedar novamente.

Estava tão feliz que respondi sem pensar duas vezes:

- Tudo bem! Agora vocês podem fazer o que quiser com minha perna (devia ter perguntado antes o que era o "negocinho” que iam fazer... Rs).

Novamente sou sedado e apago.

Passado algum tempo, começo a ouvir um barulho distante (zum... zum...) e levanto a cabeça falando:

- Humm... Que queimação é essa em minha perna?

Só deu tempo de ver alguém segurando uma furadeira na altura de minha coxa esquerda e o médico e equipe meio que desesperados falando:

- Ele acordou! Seda, seda!!!

Apago novamente.

Continua...

sábado, 11 de setembro de 2010

Muito se passou desde o último post.

Decidi dar um tempo de internet.

Passado alguns meses e com animo renovado, aqui estou novamente!

Estava urrando quando alguém abriu a porta. Era minha mãe. Estava com os olhos arregalados e falou ao ver-me:

Meu filho...

Tentando acalmá-la, falei com uma voz ofegante, mas tentando demonstrar o mínimo de dor possível:

- Está tudo bem mãe, está tudo bem.

Em seguida pedi para ela dar licença e o médico voltou a tentar.

Passado alguns segundos e já enlouquecido de dor, acabei sendo um ogro e gritando: P....! Eu levanto mais de 500 kg no leg press e você acha que vai conseguir colocar minha perna no lugar com esse bracinho?
Ele olhou assustado e falou:

- Melhor a gente levá-lo para o bloco cirúrgico.

Minha grande amiga Luciana que estudava medicina e que estava o tempo todo ao meu lado, foi junto e ajudou nos procedimentos.

Me deram algo para dormir e mandaram respirar fundo e perguntaram se estava com sono, respondi que não.
Após três vezes perguntando a mesma coisa e eu dando resposta negativa, a anestesista falou com certa grosseria, como se eu tivesse a obrigação de já ter dormido:

- Você tem que está com sono.

Falei com muita raiva:

- Mas eu não estou!

O médico falou:

Minha filha, não está vendo que o homem é um cavalo? De mais anestesia a ele.

Ela aplicou um pouco mais e em seguida perguntou novamente se estava com sono. Não consegui nem responder, pois senti tudo girar e apaguei.

Continua...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Hospital Salgado Filho...

Ao chegar no Salgado Filho, novo problema. O hospital estava lotado e não tinha nem maca disponível. Com algum custo os bombeiros conseguiram uma maca que estava toda urinada. Jogaram éter nela, me colocaram em cima e fiquei largado por algum tempo no corredor.

Felizmente o policial atendeu ao meu pedido quando estava caído no local do acidente e ligou para a academia informando que não ia trabalhar... Pois é... Eu era bem caxias... Rs.

A Beth, dona da academia, tratou de ligar para Luciana, meu anjo da guarda que fazia medicina e a Lu junto com outras pessoas foi correndo para o hospital (até hoje não sei como sabiam onde eu estava).

Fiquei sabendo posteriormente que na academia já rolava que eu havia sofrido um acidente e morrido. Em outra versão, havia ficado paraplégico.

Voltando ao hospital: Assim que chegou, a Lu já tratou de catar um médico e com uma sagacidade fora do comum, conseguiu que fosse atendido quase que instantaneamente.

Fizeram um raio-x e após constatarem que era somente uma luxação, o médico perguntou se eu não agüentaria a dor para colocar ali mesmo a perna no lugar. Falei que podíamos tentar.
Então ele subiu na mesa de raios-x onde eu estava deitado, abraçou minha perna que estava semi flexionada, com os músculos todos contraídos, como se estivesse congelada naquela posição, devido a dor.

Continua...

terça-feira, 8 de junho de 2010

A via crucis...

Passou algum tempo e finalmente os bombeiros chegaram.
Cortaram a calça que estava usando para ver minha bacia e em seguida comentaram que não havia quebrado que era uma luxação.
Após os primeiros socorros, me colocaram na ambulância e ai começou a via crucis atrás de um hospital.

Não sabia que o Rio tinha tantos buracos. Pelo menos, nunca os havia percebido/sentido, como naquele dia.

Na luxação o osso sai do encaixe. Imaginem o seu fêmur fora do lugar empurrando sua carne de dentro para fora. Pois é... Era essa dor que estava sentindo!
Em cada pequeno buraco pelo qual a ambulância passava, eu urrava de dor.

Levaram-me para o hospital Carlos Chagas em Marechal Hermes.
Ao chegar, um deles foi verificar se tinha vaga e ao voltar comentou com os outros que estava lotado. Então sugeriu me deixarem no chão na recepção do hospital, pois seriam obrigados a atender-me. Um deles que morava na Mallet, bairro ao lado da Sulacap onde eu dava aula, felizmente já estava conversando comigo há algum tempo e falou que não iam fazer essa sacanagem. Fiquei aliviado, pois os outros estavam conversando como se eu não estivesse ali.

Saíram em busca de um novo hospital e seguiram em direção ao Salgado Filho, no Méier.

Continua...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

De volta ao segundo acidente

Respondi ao Marquinho, que junto a todos me rodeava naquele momento:

- Esse desgraçado fechou a pista e eu já tava em cima.

O motorista falou:

- Vc surgiu do nada...

Respondi com vontade de enforcar o cidadão:

- Surgi do nada um caramba seu desgraçado, vc não podia fechar a pista pela contra mão.

Uma senhora falou para me acalmar que os bombeiros já estavam vindo.

Devia ser o horário de troca de plantão no 9 batalhão, pois várias viaturas chegaram rapidamente, embora logicamente somente uma tenha ficado no lugar.

O policial chegou e perguntou o que havia acontecido. Contei minha versão da história que era claramente a verdade, afinal, o ônibus estava fechando a pista no sentido errado a uns três metros antes da rua que ele ia entrar.

Então ele perguntou sobre o documento da moto. Já com certa dor, falei que estava na pochete. Perguntou se podia pegar e respondi que sim.
Pegou, olhou e viu que estava tudo em ordem.
Em seguida perguntou pela minha habilitação... Ops... O jeito foi pedir a ele para abaixar, seguido de um pedido para abaixar mais um pouquinho, pois não queria correr o risco de ninguém ouvir, e falei:

- Minha habilitação é só de carro...

Ele falou para não me preocupar com aquilo e posteriormente vi o quanto ele foi legal ao omitir esse fato da ocorrência...

Continua...

Ps: Amigos, não sei o que fazer. O wordpress tem saído do ar o tempo todo e começo a pensar em mudar de casa. Se alguém tiver alguma dica eu agradeço.
A todos um ótimo feriado!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Primeiro acidente - Ultima parte

Marcelo, outro amigo que morava em frente à Luciana achou estranho ouvir eu chamando aquela hora e saiu para ver o que estava acontecendo.
Luciana então mandou entrar e lavar a perna novamente passando a bucha. Fiz o que ela falou apesar de já está sentindo alguma dor.
Fomos ao hospital Carlos Chagas em Marechal Hermes, elogiaram a limpeza que havia sido feita em minha perna, passaram apenas álcool iodado e depois me liberaram. Assim... Sem raios-X, nem nada!
Era dureza não ter plano de saúde.

Fiquei andando somente de calça de moletom durante todo mês seguinte para poder proteger as feridas do sol e evitar muitas marcas. Para minha surpresa, não fiquei com nenhuma cicatriz.

Minha moto demorou quase um mês e meio para ser entregue pela Honda e lembro que o valor do conserto foi um absurdo. Mas pelo menos não sofri nada mais grave, o que foi muita sorte.

Na época usava óculos e o perdi no acidente. Uma semana depois quando fui mostrar ao Marcelo o local do acidente, ainda dava para ver claramente por onde meu corpo havia arrastado. Quando mostrei o montinho onde havia dado uma cambalhota involuntária antes de cair sentado no asfalto, o Marcelo se abaixou e pegou algo... Era o meu óculos! Estava todo torto, mas por incrível que pareça a lente estava boa e conseguiram desentortar na ótica.

Dei muita sorte e devia ter aprendido a pelo menos usar capacete, mas ninguém utilizava naquela época. Achávamos que a sensação do vento valia a pena o risco. Eramos estúpidos!

Mais ou menos dois meses depois estava esticado no chão ouvindo o Marquinho perguntar:

- De novo Marcinho?

Continua...

PS: Ontem foi meu aniversário de renascimento (primeiros posts). Fiz seis anos de vida! Infelizmente gostaria de poder dizer que me tornei uma pessoa melhor, mas questiono algumas atitudes e decisões que tomei nesses anos.
Que nesse novo ano aprenda a ser uma pessoa melhor...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Primeiro acidente - parte II

Ao levantar vi que minha perna estava toda vermelha, havia ralado toda coxa direita.
Olhei em volta e percebi que algumas pessoas haviam saído de dentro de casa devido ao barulho ocasionado pelo acidente. Fui em direção a casa de uma senhora e aproveitando que a adrenalina ainda estava alta, perguntei se podia emprestar uma mangueira e sabão.
Esfreguei bastante o sabão na perna e lavei em abundancia. Ardia, mas certamente menos que se fosse fazer aquilo depois...
Os quatro caras que me ajudaram, trouxeram minha moto e a deixaram em pé. O lado direito estava com a carenagem totalmente destruída, mas no esquerdo não havia acontecido nada.
Tentei ligar a moto e na primeira tentativa ela não respondeu. Na segunda, sucesso! Agradeci a todos, subi na danada e voltei para casa da minha amiga Luciana, de onde tinha saído pouco tempo antes. Ela era estudante de medicina e me parecia à opção mais lógica, uma vez que ainda tinha que ir ao hospital.
Ao chegar a casa dela, chamei e quando ela atendeu, falei:

- Cai de moto!

- Ela riu e falou para deixar de ser bobo (estava vendo o lado esquerdo da moto e minha perna esquerda que não haviam sofrido nada).

Manobrei a moto e então ela viu o outro lado.

Mudou o semblante e falou:

- Meu Deus...

Continua...

domingo, 30 de maio de 2010

O primeiro acidente de moto...



Entre os passageiros estava o Marquinhos, um rapaz que morava no prédio em frente a minha vila.
Ele vira e fala:

- De novo Marcinho...

Pois é meus amigos, de novo! Dois meses antes havia sofrido outro acidente de moto. Mal havia me recuperado e estava começando a pagar o conserto anterior.

Fiquei jogando baralho até tarde na casa de uma amiga e na volta, estava passando por uma rua que ligava a Sulacap ao Valqueire. Em uma curva onde tem um sinal, um carro avançou e deu um leve toque em minha traseira. Foi o suficiente para perder a direção, bater no meio fio de um canal que dividia a pista, voar alguns metros, por sorte cair justamente na faixa de terra de um metro mais ou menos, entre o canal e asfalto, arrastar o corpo por alguns metros, dar uma cambalhota involuntária num montinho e por fim cair sentado e tonto com a perna virada para trás no asfalto.
Por sorte somente minha perna direita comeu inteira, pois arrastou no meio fio. Usava um conjuntinho para dar aula que hoje consideraríamos ridículo (foto), mas que era muito usado na década de 90. Além disso, naquela época ninguém usava capacete. Portanto, já naquela época o meu anjo da guarda trabalhava dobrado!
Minha moto foi parar a uns 20, 30 mt.
Em seguida passou um carro com quatro caras que desceram e vieram em minha direção. Um deles foi pegar a minha moto. Perguntaram se estava bem.

Respondi mexendo em todo o meu corpo para ver se sentia alguma dor:

- Acho que não quebrei nada (já me levantando).

Continua...

sábado, 29 de maio de 2010

Lembro do ano de 1998... Estava com minha primeira moto, uma Sahara. Estava indo para a academia dar aula. De repente surge um ônibus na minha frente do nada! Não teve jeito... Acabei colidindo de frente. O impacto foi tão forte que fui jogado a uns seis metros de distancia, além de afundar a lataria frontal e estourou o pára brisas.

Caí no chão todo torto.
Segundos após cair, começou a jorrar sangue do meu olho esquerdo e minha bacia estava toda torta. Tentei mexer a perna, mas sem sucesso.

O motorista do ônibus desceu junto com os passageiros e vieram ver como estava.
Estava com tanto ódio pela estupidez do sujeito, que quis cortar outro ônibus para entrarem uma rua à esquerda, fechando por completo a pista, que só queria saber de pegar no pescoço dele.

Lembro de falar:

- Chega aqui perto, pois não consigo andar e só quero pegar o seu pescoço, seu desgraçado... Pois é... Estava fora de controle e falava isso enquanto me rastejava em direção a ele.

Continua...

Obs: Infelizmente diversas vezes no ultimo ano prometi não parar de escrever, mas tive diversas tribulações e nunca consegui cumprir minha promessa.
Estou em uma nova fase de minha vida e agora vou me dedicar ao blog com mais carinho.
Um dia chegaremos nessa fase...

Beijos e abraços a todos com muito carinho.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Fiquei tão magro e abatido, que vários amigos vieram perguntar se estava doente com alguma doença séria.
Num belo da estava caminhando pela rua e percebi que duas garotas riam de minha "magreza". Fiquei tão fulo na ocasião, que no mesmo dia entrei numa academia.
O fato é que passei a malhar como louco, chegando a ficar 4 por dia dentro da academia. Logicamente malhava errado, mas graças a uma boa genética e ao fato de estar começando a malhar o que por si só, garante um bom grau de hipertrofia, acabei ao final de dois meses com alguns ganhos e todos vinham perguntar se eu estava tomando anabolizantes. Respondia que não! O que era a mais pura verdade.

Continua...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O fato é que assim que saí do quartel, fiquei sem saber o que fazer. Foi então que meu padrinho, irmão de meu pai, me convidou para ir ajudá-lo na empresa dele em Porto Velho.
Vou contar para vcs... Não sei como é hoje em dia, mas naquela época, PV era o fim do mundo. Só existia duas ou três vias pavimentadas e o resto era terra batida.
Foram três meses até desistir daquela vida. A cidade era tão ruim que até a questão da alimentação era complicada naquela época.
Voltei parte da viagem de carona para ir conhecendo as cidades do caminho e após 10 dias de viagem, estava de volta ao Rio.
Cheguei no Rio com 62kg. Muito magro para os meus 1.85m. Foi o saldo dos três meses de péssima alimentação. Somente para terem uma idéia, quando fui, estava com 78kg.
Para piorar, consegui um cara tão ruim para cortar meu cabelo, que acabei passando máquina 2 antes de voltar. Era uma vareta de bambu com cabeça raspada...
O fato é que por causa disso, acabei começando a malhar...
Felizmente não tenho nenhuma foto daquela época para postar ;-)

Continua...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010



Os anos que se seguiram passaram sem nada edificante na minha vida e fui me afastando cada vez mais de meus irmãos e pai. Na realidade, um ano após voltar de Manaus, todos foram novamente para o Estados Unidos, mas optei por ir a Manaus ficar com os amigos ao invés de viajar com eles.

Me alistei e fui voluntário para servir como Para-quedista do exercito. Era um sonho que tinha desde quando vi uma fita que meu primo levou em minha casa, do pessoal ralando na serra.
A realidade é sempre bem diferente da "beleza"que vemos numa fita de vídeo, mas mesmo assim, adorava aquela vida. Infelizmente o serviço militar se baseia em dois pilares, hierarquia e disciplina, a disciplina eu até encarava, mas sempre tive problemas com hierarquia. Mesmo assim fui o 01 do meu ano no TIBC (treinamento básico individual de combate). Em contrapartida, fui parar na prisão do batalhão por 6 vezes até que finalmente meu comandante entendesse que eu não servia para aquela vida.
Numa ultima conversa, capitão Castro ainda perguntou se eu não queria realmente engajar e seguir aquela vida. Respondi sem pensar duas vezes que só queria sair daquele inferno.
Saí do 25 BIPQDT apelidado carinhosamente pelos colegas de "passarinho"por minhas passagens pela irene. No total, fiquei quase 3 meses detido, mas como tudo na vida, tinha seu lado bom. Humm... Até hoje não consegui encontrar o lado bom dos meses que passei detido no quartel... Rs.

Continua...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O tempo foi passando e dois anos após começarmos a conviver com nossos irmãos todos os finais de semana, meu pai se mudou para Manaus.

Lembro como eu e Clerley choramos, achando que as crianças esqueceriam a gente. Com 14 anos fui para a Disney. Imagine a alegria daquele garoto suburbano indo pela Disney. Era algo inimaginável...
Ao voltarmos meu irmão decidiu ficar morando em Manaus e eu fui para o Rio ficar com minha mãe. Mesmo no início de adolescência, não achava justo minha mãe que tinha batalhado como louca para criar duas crianças, ficar sem nenhum filho ao lado, somente por que estávamos deslumbrados com o padrão de vida do meu pai.

No ano seguinte acabei me mudando para Manaus tb, mas não consegui me adaptar com a vida que levavam e fui meio que despachado de volta ao Rio, embora tenha certeza que na visão do meu pai, ele tenha me dado a opção de ficar.... Acabei me tornando um rebelde sem causa...

Continua...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Aos onze anos descobrimos que meu pai tinha uma nova família e que eu e meu irmão mais velho tínhamos dois irmãos, um com dois e outro com três anos. Ele nunca havia contado a Miriam que já era pai. Se começamos a conviver com nossos irmãos, foi graças a uma intervenção da natureza que colocou uma amiga da Miriam no mesmo restaurante que meu pai almoçava com a gente.
Logicamente ela tratou de contar o que tinha visto e ele pressionado acabou contando a verdade.

Conhecemos nossos irmãos e finalmente pudemos curtir um pouco os pequeninos.

Nessa época ele morava no alto Leblon e acabou comprando uma casa para a gente em Madureira. Pode não parecer muito, mas possivelmente se tivesse continuado em Honório, nosso futuro seria bem mais sombrio, uma vez que a maioria de nossos amigos do antigo bairro virou bandido ou drogado. Na realidade a maioria deles não está mais viva hoje em dia.

Continua...

O nascimento



Era o ano de 1972. Naquele ano nascia mais uma criança peralta, que conseguiu aprontar todas nos anos seguinte. Fui tirado debaixo de carros pelo menos três vezes em minha infância, além de uma vez ficar preso numa bomba que puxa água. Foi um belo choque do qual nunca me esqueci e olha que tinha apenas 4 anos. O chão estava todo molhado o que só serviu para piorar as coisas.

Minha mãe, uma grande mulher que fez o possível para criar dois filhos sozinha, muitas vezes deixando de comer para dar arroz e feijão aos filhos, sempre procurava nos ensinar coisas boas e nos educou com muito carinho e amor.

Cresci na rua Tacaratu em Honório e lá fiquei até os 11 anos.

Vim a conhecer meu pai com seis anos e na ocasião sentado no colo do "pai Cléber", um primo de minha mãe que procurava completar a imagem paterna que nós desejávamos, não titubeei em dizer:

- Esse ai não é meu pai, meu pai é o pai Cléber!
 Nem preciso dizer como todos na sala deram risadas sem graça... Enfim, era uma criança.

Nos anos seguintes vi muito pouco o meu pai e continuei minha vida, tomando conta de carros fazendo carretos, vendendo água sanitária, enfim... fiz tudo para ganhar uns trocados quando criança.

Assim foi até os 11 anos, quando era um aluno nota A sem esforços e batalhador ao extremo, pois adorava ganhar uns trocados.